quinta-feira, 15 de julho de 2010

Para Dessa.

Eu sei que você está triste,afinal quem não estaria?!
perdas nunca são agradáveis.
Saiba que por mais chato e ruim que eu tenha sido com você,eu sempre mantive um carinho enorme por ti,e um respeito imenso por tua familia.
Espero estar com você,as vezes nas horas felizes,mas sempre nas tristes,pois são nesses momento que vemos quem realmente são nossos amigos.
Escrevi de coração.


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"More Fruits Of Solitude"

A Morte é apenas uma travessia do Mundo,

Como os amigos atravessam os mares...

Continuam a viver uns para os outros,

Pois não podem deixar de estarem presentes,

Para que amem e vivam no que é Onipresente...

É este o consolo dos amigos:

Embora sejam mortais,

A sua amizade e companhia,

Estão, todavia no melhor dos sentidos,

Sempre presentes...

Porque são Imortais.

(J.K.Rowling)

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- Seus cabelos lisos e negros

Foi tudo tão simples, nossa amizade, seu aniversario, nossos dilemas.

Era um dia comum, poderíamos curtir as vésperas do fim de semana, sentir o cheiro da terra misturada ao manto de água que a chuva fazia.

Poderíamos ter marcado outro filme, talvez ir ao Ibirapuera.

Mas hoje, isso não entra em questão.

Na verdade, o que realmente entra em questão?

Nossas dividas com o passado ou nossos planos com o futuro?

Este dia era unicamente distinto, chovia forte, estava frio.

Ao ver as crianças chorando eu não saberá o que fazer.

Nem o que havia ocorrido.

Doei-me ao Maximo, e me dispus ao Maximo.

Abracei-me a uma das crianças, e enquanto alisava seus lisos cabelos negros,

Nós receberemos a noticia da morte.

A morte é inquestionável, e imutável.

Não acredito que ela seja um fim, e sim um novo começo.

Um começo de paz interior, de amor e de seriedade.

Eu a vejo com sutiliza, eu a questiono, mas não a condeno.

Ela nos trás dor, e o tempo nos trás força.

Força derivada desta mesma dor.

A vida nem sempre é como queremos que seja.

A morte nem sempre é como queremos que seja.

Mas Deus,ou aquilo em que você crê,tem propósitos para nossa vida.

(Luiz Damasceno)



- sobre meu guarda-chuva.

Acordei rapidamente com o som de minha amiga aos ouvidos.

Com certeza ela não estava me chamando para ir pra escola.

Após a notícia da morte veio a do velório.

Não tomei café, e ainda não tinha escovado meus dentes, o pai desta amiga nos levaria de carro. Escovei meus dentes, puis minha blusa e meu cachecol, e fomos para o cemitério.

Chovia forte, às vezes as lagrimas das pessoas se confundiam com os pingos da chuva.

Eis que vi o corpo, ele era um adulto jovem, feliz, e tenho certeza que continuará sendo feliz, a onde quer que ele esteja.

Eu nunca tive muito contato com ele, mas no pouco tempo que passei perto dele pude ver sua generosidade, seu coração afetuoso e seu amor pela família.

Naquele velório eu vi muitas coisas além da tristeza, eu vi saudades, desentendimentos passado, afeto, amor, mas de tudo que vi o que me partia o coração, era ver meu amigo, minha amiga que perdeu o pai, sua irmã e tua mãe chorando.

“O que mais eu posso fazer? ’eu me perguntava.

Talvez não houvesse nada a fazer, a não ser transmitir afeto e força a eles.

E na hora de rezar, eu que não cristão rezei, e orei.

Talvez eu tenha tido orado por eles,para ajudá-los a seguir em frente.

Pelo menos foi este meu pensamento naquele momento.

Abraçá-los e orar. Derramar algumas lágrimas, e repetir sempre a mesma frase:

‘Deus sabe o que faz’.

Eu via a mãe de minha amiga, e ela devia estar cansada, às vezes ela fechava os olhos profundamente. Talvez ela quisesse que aquilo fosse apenas um sonho ruim, e que quando abrisse teus olhos tudo estaria bem.

Mas essa não era a realidade, e se quer saber de uma coisa, nós nos perdemos na realidade.

Cultivamos lembranças boas e nem tão boas, eu sempre me questionava:

‘Como pude ser tão estúpido em fazer certas coisas’.

Mas se existe um lado bom neste tipo de coisa, é a amizade.

Eu via tantas pessoas indo e vindo, às vezes falando coisas sem nexo algum, mas estas pessoas se faziam presentes.

Pra falar a verdade, eu queria ter me feito mais presente.

Após muito choro, e despedidas, chegava a hora de levar o caixão.

Caminhamos sobre alguns túmulos, sobre a chuva, sobre o vento,

E eu não imaginaria que tantas saudades e certa hostilidade poderiam caber sobre meu guarda-chuva.

Mas sobre este mesmo, havia o desejo de paz, de esperança, e o amor de Deus.

Eu não acreditava em Deus, confesso.

Mas de dois anos pra cá, eu comecei a acreditar, e acreditando nele

Eu estava acreditando em mim mesmo, e eu sabia que ele tinha planos para minha amiga e a sua família.

Pensar no céu, na libertação da dor, da agonia e da angustia, nos confortava.

Pensar que nosso honroso falecido sempre quis que fôssemos felizes nos confortava.

E de nossas vidas seguem e de que ele sempre estará zelando por você lá no céu.



Eu poderia falar de tanta coisa, da tristeza em poder rever o Lucas só em uma situação dessas

Da Flávia que foi incrível, da Reh,das pessoas chatas que ficavam falando coisas sem sentido.

Do Du.

Eu poderia falar tantas coisas, e ler tantos textos, mas eu sei que não ia fazer muito efeito, não naquele momento.

Mas eu só queria deixar registrado, o amor que tenho por todos vocês, o respeito,

E dizer que sempre estarei do lado de vocês, nem sempre em todas as horas felizes, mas se possível em todas as tristes.

Eu posso afirmar que por pior que tenha sido tudo isso.

Eu consigo dizer que seremos eternos amigos

Na vida ou na morte.

E que seu pai sempre será eternizado em nossos corações.

E que nem uma dor ou sofrimento é em vão.

Sei que é difícil,mas não existe felicidade sem tristeza

Nem amor sem ódio, realmente estes são os oposto que se atraem opostos que dependem um do outro.

Conte sempre comigo, todos vocês.

Carinhosamente

Afetuosamente

Luiz Damasceno

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